Características da CHIVA

Veias – funcionamento

A veia safena é a veia mais longa do corpo humano. Tem sua origem no tornozelo, corre na parte interna da perna e coxa até a região inguinal, onde entra na veia femoral, levando o fluxo superficial da perna ao sistema profundo. Não é uma veia puramente subcutânea, pois na maioria das pessoas tem uma fascia subcutânea em torno dela que atua como uma meia elástica. Esta meia elástica natural faz com que a veia safena mantenha um tamanho razoável e claro, mesmo quando doente com refluxo.  Assim, a maioria das veias vistas nas veias varicosas com insuficiência venosa são as veias acessórias (colaterais) e não a própria veia safena.

A função da veia safena é transportar o sangue da superfície para o sistema profundo, de modo a atingir o coração. Ele recebe inúmeras veias menores ao longo da perna e transporta o fluxo dessas veias para o sistema profundo. O sistema profundo fica abaixo das fáscias ao longo dos músculos da perna e coxa e dentro do abdômen. O sistema venoso profundo tem uma posição intermediária e funciona como um grande reservatório de sangue. O sistema profundo conecta-se ao superficial através de veias safenas e veias perfurantes (perfura a fáscia muscular). A função desses influxos sangüíneos do superficial para o profundo é fundamental para manter a circulação venosa adequada. Se não estiver funcionando bem, o sistema superficial recebe mais sangue do que deveria e torna-se mais envolvido como reservatório, o que causa várias manifestações clínicas de insuficiência venosa leve a grave. A figura abaixo mostra a mesma perna imediatamente antes e depois de um elástico ter sido colocado para fechar o fluxo que vai do influxo profundo-superficial superior para as veias superficiais na perna. Isso mostra que as veias encolhem se o fluxo que está dilatando é evitado. Para entender melhor, veja a apresentação no Orbisvascular 2018 Montevideo ou leia nossa publicação científica.

Safena – importante

A importância da veia safena vai além da drenagem do sangue venoso da perna. A veia pode ser removida da perna e usada em cirurgias cardíacas e vasculares que muitas vezes salvam a vida de uma pessoa.  A cirurgia de revascularização das artérias coronárias e dos membros inferiores são procedimentos comuns e utilizam a veia safena, e outros enxertos alternativos, que não a veia, freqüentemente não alcançam os mesmos resultados. A falta desta veia safena pode impor mudanças de plano em procedimentos no futuro cujos efeitos não são desejáveis.

Outro fator ainda não bem definido é o efeito da remoção da veia safena na recorrência das varizes a longo prazo. Alguns estudos em animais provam que a ligadura de uma veia causa um efeito no corpo para tentar superar a veia em falta e criar mais veias. Estudos clínicos mostraram que a chance de retorno de varizes foi maior em pacientes que tinham todas as veias inguinais ligadas (fechadas) do que em pacientes que só tinham a veia safena ligada (fechada) em um procedimento cirúrgico.

A CHIVA

Alguns ensaios clínicos sugerem que a CHIVA teve menos recorrência do que a decapagem (conforme descrito abaixo). Os tratamentos geralmente realizados nos pacientes com veia safena do paciente são diversos e sua aplicação depende do local de realização, caso clínico, expectativas do paciente, experiência do médico entre outros. Há uma série de tratamentos cientificamente comprovados, incluindo a ablação térmica de safena (laser e radiofrequência), safenectomia de decapagem, escleroterapia (espuma ou cola) e técnica hemodinâmica (CHIVA). Dentre esses, exceto a técnica hemodinâmica, os demais eliminam a veia safena de diferentes maneiras (queimadura, irritação da injeção, adesão por colagem ou retirada).

Os resultados do CHIVA já foram cientificamente avaliados em ensaios clínicos randomizados e uma revisão sistemática de ensaios clínicos. A revisão sistemática dos dados mostra uma baixa taxa de recidiva e uma baixa taxa de lesão do nervo cutâneo (provavelmente devido à anestesia local) e menos hematomas do que na técnica de stripping. A técnica foi superior à compressão isolada em pacientes com úlcera venosa. Comparações com endolaser e radiofrequência são poucas, um estudo retrospectivo mostrou que pacientes com CHIVA relataram menos dor e necessitaram de menos sessões de escleroterapia após o tratamento do que pacientes submetidos a endolaser de veia safena.

Em resumo, a técnica ideal para o tratamento de varizes ainda não está definida. Nenhuma técnica é capaz de evitar totalmente problemas como recaída, manchas, problemas estéticos, edema e outros sintomas. Na opinião do consenso europeu de tratamento da insuficiência venosa crônica, a CHIVA (recomendação 54) pode ser feita nesses pacientes se for realizada por um médico especializado na técnica.

Nós escolhemos CHIVA como a primeira escolha em casos com doença de safena devido às razões acima.

Temos um artigo científico em que fazemos uma revisão da técnica publicada no Jornal Vascular Brasileiro. Se você estiver interessado em mais informações científicas, clique no link jvbar.